Um novo romance aponta-se
Na ponta do lápis
(Primeira nota: eu gosto de escrever a lápis para evitar rasuras; é sempre melhor apagar os erros e escrever de novo)
Conversamos sobre essa minha obsessão por um romance bem sucedido em sua constituição! É preciso de fôlego para produzir um romance!
Mas a minha sintaxe frágil não sustenta a situação. As frases-fragmentos parecem que falham na folha em branco que me proponho a preencher.
As mais recentes lembranças (vivas) ainda inspiram conjugações inusitadas entre as pautas em que me apoio para não perder o fio da história. "A gente só deve escrever sobre o que conhece", você me ensina. E diz com muita naturalidade que é preciso coragem (divagações à parte, o texto do Guimarães Rosa que eu tanto repito!!!). Mas a minha pretensão não é convencer ninguém dizendo-me romancista no literal sentido do termo, eu só quero tecer um novo romance, um lance cheio de graça e com tal leveza que o protagonista não se sinta sufocado nas entrelinhas do enredo. Uma história que pode ser o clichê mais pobre da literatura, mas que se mostra original com esse sotaque.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
[nova manhã]
Despertar sem o blá-blá-blá do rádio
Em suas entrevistas matinais
Mas sentir que as palavras do dia
Que o corpo e a alma pedem
Amor tecem
Em suas entrevistas matinais
Mas sentir que as palavras do dia
Que o corpo e a alma pedem
Amor tecem
Abrir os olhos sem medo
De deparar com o silêncio
Sentindo que posso me apaixonar
Pelas palavras
Porque umedeceram meus olhos
antes de fazer fluir o desejo
entre as pernas
E porque as mãos acolheram
o sal a febre o gosto: o gozo
a sede do corpo: única sensação
De deparar com o silêncio
Sentindo que posso me apaixonar
Pelas palavras
Porque umedeceram meus olhos
antes de fazer fluir o desejo
entre as pernas
E porque as mãos acolheram
o sal a febre o gosto: o gozo
a sede do corpo: única sensação
************
Começo a segunda-feira com ares de contentamento. A poesia me desperta e inspirada registro os versos que sobraram na cama em pensamentos escondidos sob os lençóis.
Recolho roupas e lembranças. O despir-se e recompor. Colho os olhares, o espelho.
No quarto recém-pintado, as paredes retêm o cheiro fresco de felicidade.
Novas conjugações para uma sintaxe desgastada e previsível: a voz de Caetano me vem à mente: "outras palavras", e fico cantarolando mentalmente a possibilidade de reescrever a história, usando expressões idiomáticas mais condizentes com esse novo contexto (tão fora/dentro do mundo verbal)!
Sim, a realidade me trouxe derivações mais apropriadas para os vocábulos monotemáticos a que exponho. Prefixos reinventados, reinterpretados, formam palavras que eu desconhecia: me vejo/sinto fênix ao renascer.
Começo a segunda-feira com ares de contentamento. A poesia me desperta e inspirada registro os versos que sobraram na cama em pensamentos escondidos sob os lençóis.
Recolho roupas e lembranças. O despir-se e recompor. Colho os olhares, o espelho.
No quarto recém-pintado, as paredes retêm o cheiro fresco de felicidade.
Novas conjugações para uma sintaxe desgastada e previsível: a voz de Caetano me vem à mente: "outras palavras", e fico cantarolando mentalmente a possibilidade de reescrever a história, usando expressões idiomáticas mais condizentes com esse novo contexto (tão fora/dentro do mundo verbal)!
Sim, a realidade me trouxe derivações mais apropriadas para os vocábulos monotemáticos a que exponho. Prefixos reinventados, reinterpretados, formam palavras que eu desconhecia: me vejo/sinto fênix ao renascer.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
sobre as saudades que somos
"Na saudade descobrimos que pedaços de nós já ficaram para trás.
E descobrimos, na saudade, uma coisa estranha: desejamos encontrar, no futuro, aquilo que já experimentamos como alegria, no passado.
Só podemos amar o que um dia já tivemos."
(Rubem Alves)
E descobrimos, na saudade, uma coisa estranha: desejamos encontrar, no futuro, aquilo que já experimentamos como alegria, no passado.
Só podemos amar o que um dia já tivemos."
(Rubem Alves)
Achei "engraçado" topar com esse post sobre saudade logo depois de ter trocado algumas palavras inbox com você. Achei graça porque antes dos costumeiros "beijos" de despedida, excepcionalmente desta vez, foi você que escreveu "estou com saudade de você". E nos despedimos entre essas saudades: a sua e a minha. Nossas saudades plurais. Saudade que se multiplica, e produz essas saudades sem medida, singularmente plural.
Você não acha curioso uma frase escrita assim tão retoricamente desencadear toda essa minha sintaxe?!
Eu acho engraçado isso, mas não rio. Escrevo. Escrevo para ver se a saudade para de machucar, tentando pôr pra fora esse gesto de repetição inconsciente e racional que é sentir saudade assim, sempre, sem controle.
Você sabe que guardo nossas saudades... E que ponho todas elas no minúsculo músculo cardíaco que de vez em sempre faz festa com as lembranças mais carregadas de saudade. Sabe? (Não diga que não sabia, tá?) Eu tenho muitas saudades de nós! Saudade de quando estávamos atados. Amarrados, mas livres. Eu nunca quis você nessa ideia de sufoco, nem de prisão. E tenho saudade de você livre e preso a mim. Simbioticamente unidos. É desse nós que tenho saudade, entende? Tenho saudade do toque dos seus dedos desembaraçando minha razão, fazendo fluir minha inflexibilidade e minha teimosia. Tenho saudade do seu olhar náufrago... dentro das minhas inconstantes convicções. Tenho saudade, sim. Saudade da palavra pronunciada com calma umedecendo meu sexo não verbal. Sim, eu tenho saudade. Muita saudade do seu corpo, inteiro. Da sua pausa, do seu movimento, do nosso discurso... do nosso silêncio e do nosso riso... do aconchego no seu peito quando as saudades exaustas se rendem ao nosso desejo já frouxo... saudade do verso que escorre... saudade do poema que tecemos quando em gozo pleno acontecemos.
Você não acha curioso uma frase escrita assim tão retoricamente desencadear toda essa minha sintaxe?!
Eu acho engraçado isso, mas não rio. Escrevo. Escrevo para ver se a saudade para de machucar, tentando pôr pra fora esse gesto de repetição inconsciente e racional que é sentir saudade assim, sempre, sem controle.
Você sabe que guardo nossas saudades... E que ponho todas elas no minúsculo músculo cardíaco que de vez em sempre faz festa com as lembranças mais carregadas de saudade. Sabe? (Não diga que não sabia, tá?) Eu tenho muitas saudades de nós! Saudade de quando estávamos atados. Amarrados, mas livres. Eu nunca quis você nessa ideia de sufoco, nem de prisão. E tenho saudade de você livre e preso a mim. Simbioticamente unidos. É desse nós que tenho saudade, entende? Tenho saudade do toque dos seus dedos desembaraçando minha razão, fazendo fluir minha inflexibilidade e minha teimosia. Tenho saudade do seu olhar náufrago... dentro das minhas inconstantes convicções. Tenho saudade, sim. Saudade da palavra pronunciada com calma umedecendo meu sexo não verbal. Sim, eu tenho saudade. Muita saudade do seu corpo, inteiro. Da sua pausa, do seu movimento, do nosso discurso... do nosso silêncio e do nosso riso... do aconchego no seu peito quando as saudades exaustas se rendem ao nosso desejo já frouxo... saudade do verso que escorre... saudade do poema que tecemos quando em gozo pleno acontecemos.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
naquele tempo
Não, eu não pensava em escrever pra você outra vez. Não por não ter o que dizer, claro; só porque, depois que você se retirou do nosso romance inacabado, eu pensei que nunca mais escreveria. Nem pra você nem pra ninguém... Mas hoje... Ah! Hoje, depois que nos despedimos, depois de você dizer "eu ainda não te conhecia", tantas frases me ocorreram que não pude evitar!
É verdade que, desde que você escolheu o meu silêncio, tenho tido saudades. Muitas saudades. Todas as saudades possíveis. sei que eu já disse que tenho muitas saudade de você e de todas as nossas frases feitas, os nossos clichês adoráveis e prediletos! Eu tenho saudade de escrever pra você. Saudade de usar meandros gramaticais para a trama previsível e inusitada que rabisco para vivermos. como se fôssemos um filme, o melhor roteiro adaptado! Cannes, a Palma de Ouro! Sim, seríamos premiados!
E eu sinto falta de escrever essas bobagens sentimentais para você. Falta de escrever e ficar imaginando a expressão do seu rosto ao ler essas palavras quase desconexas mas bem colocadas e sintaticamente coerentes. E por isso hoje, quando você disse... Ah! você disse tanta coisa durante aqueles poucos minutos em que os relógios duraram o tempo da nossa conversa em silêncio... Um abraço que me fez sentir mais saudade de escrever pra você. Saudade do tempo em que você não dizia nada e eu escutava você dizer tudo o que eu queria ouvir...
Tão bom encontrar meu verbo reverberando no seu olhar sedutor. Tão bom sentir sua presença na ponta da língua (fiquei com medo de abrir os olhos depois que trocamos aquele beijo, confesso).
O convite ali pronto. E o sorriso embaraçado, sem saber o que dizer. E silenciar amena e intensa, e calar o corpo - a maldita taquicardia e o gemido. A vibração e o desejo em ascensão. E assim permanecemos: úmida e túrgido. E veio a saudade daquilo que ainda não vivemos. E me lembrei de um desejo antigo, que trago desde quando nos deitamos pela primeira vez. Uma noite inteira. Acordar ao seu lado (assim mesmo, com toda a pieguice que a expressão "dormir junto" carrega!). Hoje eu quase falei que tenho saudade de desejar passar uma noite com você. E tenho muitas saudades de sentir saudade!
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
eco
"Meu mundo caiu". Há três anos eu perdi o rumo. Minha escrita desandou. Parece que as frases concatenadas e espontâneas escorrem pelo meio-fio daquela avenida por onde eu caminhei sem saber para onde.
"Meu mundo caiu". Eu não fazia planos, tudo o que ia por dentro era esse meu jeito infantil de acreditar em contos de fadas. E foi por isso que eu desmoronei quando você me apresentou seu roteiro de filme de terror (pelo menos para mim).
"Meu mundo caiu" e toda vez que chega esse maldito 22 de agosto eu choro por todas as sílabas que não escrevi sobre nós.
Eu não queria ficar lembrando; não queria tocar nesse assunto desagradável e pesado, mas as lembranças... sabe como são essas coisas... a ferida parece até que vai sangrar... nunca cicatriza.
"Meu mundo caiu" e nossa canção nunca mais me acordou com as interrogações costumeiras. E independentemente do dia, eu me pego sempre cantando para você o refrão que destaquei para resumir nossas semelhanças. Nossas coincidências simbióticas.
"Meu mundo caiu" quando eu estava longe e você me deu a notícia sem a menor cerimônia. Penso que talvez eu não resistisse se perto. E pela primeira vez, nestes anos que seguiram desde o anúncio, estou perto.
"Meu mundo caiu". Eu não sei o que falar.
"Meu mundo caiu". Eu não fazia planos, tudo o que ia por dentro era esse meu jeito infantil de acreditar em contos de fadas. E foi por isso que eu desmoronei quando você me apresentou seu roteiro de filme de terror (pelo menos para mim).
"Meu mundo caiu" e toda vez que chega esse maldito 22 de agosto eu choro por todas as sílabas que não escrevi sobre nós.
Eu não queria ficar lembrando; não queria tocar nesse assunto desagradável e pesado, mas as lembranças... sabe como são essas coisas... a ferida parece até que vai sangrar... nunca cicatriza.
"Meu mundo caiu" e nossa canção nunca mais me acordou com as interrogações costumeiras. E independentemente do dia, eu me pego sempre cantando para você o refrão que destaquei para resumir nossas semelhanças. Nossas coincidências simbióticas.
"Meu mundo caiu" quando eu estava longe e você me deu a notícia sem a menor cerimônia. Penso que talvez eu não resistisse se perto. E pela primeira vez, nestes anos que seguiram desde o anúncio, estou perto.
"Meu mundo caiu". Eu não sei o que falar.
sábado, 9 de julho de 2016
dos atrasos (título provisório para uma espera definitiva)
Esperei por você como quem espera a chuva
Nesses dias de pouco oxigênio nas ruas por onde se caminha pensando em encontrar seus passos.
Esperei por você como quem tem tanta fome que nem sente mais o vazio do corpo sem alimento.
Como quem atravessa o rio sem saber nada das águas, sem saber nadar...
Esperei por você contando cada segundo no relógio, seguindo o movimento monótono dos ponteiros em ritmo lento sem alcançar as horas mais mornas.
Esperei por você no portão, no sofá da sala, na beirada da cama... Durante as noites em que você parecia mais distante do mundo exterior que do meu lado de dentro.
Esperei por você, procurei por você em esconderijos e sótãos, em vielas mal iluminadas, nas esquinas sombrias...
Esperei por você.
Nesses dias de pouco oxigênio nas ruas por onde se caminha pensando em encontrar seus passos.
Esperei por você como quem tem tanta fome que nem sente mais o vazio do corpo sem alimento.
Como quem atravessa o rio sem saber nada das águas, sem saber nadar...
Esperei por você contando cada segundo no relógio, seguindo o movimento monótono dos ponteiros em ritmo lento sem alcançar as horas mais mornas.
Esperei por você no portão, no sofá da sala, na beirada da cama... Durante as noites em que você parecia mais distante do mundo exterior que do meu lado de dentro.
Esperei por você, procurei por você em esconderijos e sótãos, em vielas mal iluminadas, nas esquinas sombrias...
Esperei por você.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
apenas mais um título
Faz tempo que não escrevo nada "para você", mas acho que você nem percebeu, não é mesmo? Não faz mal. Não importa...
Tenho muitas outras atribuições no momento e minha palavra tem estado sem voz.
Quando foi mesmo a última vez que você me leu? Nos jornais, nas revistas até nos blogs a vida corre ... notícias aparecem sem cerimônia e se tornam o centro das atenções. Mas não foram as pautas do noticiário noturno que me trouxeram de volta ao texto para você, sabe? Foi um artigo daquele periódico que você não lê em hipótese alguma! Desculpe, eu quebrei nosso trato. Prometi não folhear mais aquela porcaria de revista, eu sei; mas colocaram bem na minha frente.., e quando deparei com a "palavra" que tão bem define você... Ah! Não me controlei e rompi nosso acordo.
E só por isso, por já estar descumprindo as regras, resolvi escrever para você!
Será que dessa vez você vai ler?
Tenho muitas outras atribuições no momento e minha palavra tem estado sem voz.
Quando foi mesmo a última vez que você me leu? Nos jornais, nas revistas até nos blogs a vida corre ... notícias aparecem sem cerimônia e se tornam o centro das atenções. Mas não foram as pautas do noticiário noturno que me trouxeram de volta ao texto para você, sabe? Foi um artigo daquele periódico que você não lê em hipótese alguma! Desculpe, eu quebrei nosso trato. Prometi não folhear mais aquela porcaria de revista, eu sei; mas colocaram bem na minha frente.., e quando deparei com a "palavra" que tão bem define você... Ah! Não me controlei e rompi nosso acordo.
E só por isso, por já estar descumprindo as regras, resolvi escrever para você!
Será que dessa vez você vai ler?
P.S. Minha resposta pra você é e sempre será sim.
domingo, 15 de maio de 2016
gratidão
Depois de muitos vazios, o domingo volta a ser normal. O silêncio agonizante no sorriso dissimulado do mesmo lado. Deste lado, as lembranças de uns carnavais ao teu lado são, neste domingo de cinzas, a alegoria viva e fantasiosa de uma noite em pleno compasso. Depois de alguns domingos distantes no calendário, tua presença antecipada traz brilho solar aos cômodos atrofiados. Depois de tantos abismos, tua companhia gentil. Depois de tanta falta a fartura do abraço, o exagero dos beijos generosos, o transbordamento dos corpos em febre carnal apenas a escorrer dentro do leito da noite em véspera de felicidade. Gratidão.
terça-feira, 8 de março de 2016
suave enternecer
Assim como quem incendeia ventos e pacifica estrelas, você brilha e queima na minha cama.
Seus gestos, essa perene expressão de plenitude depois de cada beijo terno, seus gestos. Tento me livrar dessas lembranças delicadas que seus olhares molharam em mim... deságuo na memória.. rio... transbordam-me olhares e mudez.
Nua, me deixo à mercê dos seus fetiches. Dentro desse corpo, carrego saudades nas veias; corredeira de outras travessias. Era um tempo de boas intenções contidas. Contenção com tesão. As palavras escorrem entre os dedos e abafo os gemidos solitários por não ter você a ouvi-los. Os dedos deslizam úmidos pelo mamilos tesos e entumescidos. Tato. Salivo seu nome. Soletro desejo e languidez na ponta da língua morna. Sua falta contorna-me as entranhas... Fecho os olhos. Abro as pernas e gozo.
Seus gestos, essa perene expressão de plenitude depois de cada beijo terno, seus gestos. Tento me livrar dessas lembranças delicadas que seus olhares molharam em mim... deságuo na memória.. rio... transbordam-me olhares e mudez.
Nua, me deixo à mercê dos seus fetiches. Dentro desse corpo, carrego saudades nas veias; corredeira de outras travessias. Era um tempo de boas intenções contidas. Contenção com tesão. As palavras escorrem entre os dedos e abafo os gemidos solitários por não ter você a ouvi-los. Os dedos deslizam úmidos pelo mamilos tesos e entumescidos. Tato. Salivo seu nome. Soletro desejo e languidez na ponta da língua morna. Sua falta contorna-me as entranhas... Fecho os olhos. Abro as pernas e gozo.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Fragmentos de uma textura tecida entre linhas
Horóscopo
Ele é canceriano, diz. Ele diz coisas que me lembram o mar. A doçura das águas que salgam as lembranças... Ele é canceriano. Gosto dessa coincidência zodiacal. Leio no jornal todo os dias: Câncer. Não sei por que ele às vezes me parece melancólico. Mas ele é canceriano. Ou seria de Gêmeos (sempre a noticiar mistérios e mazelas alheias)? Já ouvi dizerem que é Virgem (de tão meticuloso), Leão (indomável e generoso). Prefiro acreditar nos astros: na astrologia somos feitos um para o outro.
Um gosto tocante
Gosto do verbo. Tocar. Intocável. Irretocável. Tocante! Gosto da dualidade dessa conjugação. Gosto da flexão tátil, subjetivamente ambígua. Gosto de tocar. Gosto de te tocar. Gosto mais ainda quando me tocas e eu viro objeto nas tuas mãos. Gosto das tuas mãos tocando as cordas, os pelos, os poros, as notas desafinadas do meu desejo dissonante... tocante!
Entre aspas e beijos
Depois de reler incontáveis vezes o que você disse (escreveu) a respeito daquele beijo, ela me perguntou se você beija bem. Eu preferi mentir.
Ele é canceriano, diz. Ele diz coisas que me lembram o mar. A doçura das águas que salgam as lembranças... Ele é canceriano. Gosto dessa coincidência zodiacal. Leio no jornal todo os dias: Câncer. Não sei por que ele às vezes me parece melancólico. Mas ele é canceriano. Ou seria de Gêmeos (sempre a noticiar mistérios e mazelas alheias)? Já ouvi dizerem que é Virgem (de tão meticuloso), Leão (indomável e generoso). Prefiro acreditar nos astros: na astrologia somos feitos um para o outro.
Um gosto tocante
Gosto do verbo. Tocar. Intocável. Irretocável. Tocante! Gosto da dualidade dessa conjugação. Gosto da flexão tátil, subjetivamente ambígua. Gosto de tocar. Gosto de te tocar. Gosto mais ainda quando me tocas e eu viro objeto nas tuas mãos. Gosto das tuas mãos tocando as cordas, os pelos, os poros, as notas desafinadas do meu desejo dissonante... tocante!
Entre aspas e beijos
Depois de reler incontáveis vezes o que você disse (escreveu) a respeito daquele beijo, ela me perguntou se você beija bem. Eu preferi mentir.
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