Dentro de mim, a chama das paixões até se mantém acesa. Há qualquer coisa que sustenta a combustão apesar da falta de oxigênio. Um elemento químico natural e mais escasso também. Por dentro tudo é vida, fogo, luz.
Na vida real, no entanto, do lado de fora dos meus sonhos inconscientes e inoportunos, faço um buraco, escavo meu interior solitário e descontente com a falta de sol nos dias. Não está chovendo... por fora, não. Minha chuva interna é que não cessa e oculta a luminosidade dos desejos impossíveis.
Para diminuir meu sofrimento, concentro o pensamento nos homenageados do dia. Comemoro tudo o que foi interrompido e maltrato o passado com vestígios de ironia. Saúdo os mortos. Mas apenas os que ainda não morreram. Visito o cemitério em que deixei as esperanças. Depositei tantas alegrias em terrenos movediços e áridos. Penso na possibilidade de acordar esses defuntos, almas a vadiar pelo meu mundo onírico e descontínuo de realidade.
No entanto, agora já está tudo em decomposição... paixões são inflamáveis e viram cinzas. E eu insisto em enfeitar túmulos decadentes onde apodrecem paixões inesquecíveis.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
deslembranças
O que dói não é estar distante.
O que dói, machuca e não tem remédio que cure é a sensação corrosiva de que foi tudo sem sentido. Que tudo não teve nada de aproveitável, nada para permanecer, pra ficar.
O que dói não é o silêncio transitoriamente perene.
O que dói é a mudez involuntária, que cala o desejo latente, que omite a fala reveladora do mais puro sentimento guardado por dentro, num interior inalcançável.
Já houve dias em que eu me senti mais triste. Já houve momentos em que eu estive mais desesperada com esse silêncio perpetuado a cada fim de semana em que você enfatiza sua ausência. Já houve tempo também em que eu nem pensava nisso! É "eu-era-feliz-e-não-sabia", como você escreveu outro dia (há muito tempo!!).
Mas hoje eu só queria uma válvula de escape que me fizesse fugir da paranoia que é saber que você ainda existe. Hoje eu só queria devolver sílaba por sílaba das suas declarações inconsequentes. Queria depositar na sua caixa de correspondência todas as respostas que você se recusa a formular. Hoje eu queria empurrar pra debaixo do seu travesseiro todas as lágrimas que molham minha fronha nas noites que você não visita meus sonhos. (Eu sei que isso é por demais piegas, mas me dou o direito de cair nesse poço de clichês batidos, pois essa dor que dói é o lugar-comum das nossas mentiras e dissimulações.)
O que dói, machuca e não tem remédio que cure é a sensação corrosiva de que foi tudo sem sentido. Que tudo não teve nada de aproveitável, nada para permanecer, pra ficar.
O que dói não é o silêncio transitoriamente perene.
O que dói é a mudez involuntária, que cala o desejo latente, que omite a fala reveladora do mais puro sentimento guardado por dentro, num interior inalcançável.
Já houve dias em que eu me senti mais triste. Já houve momentos em que eu estive mais desesperada com esse silêncio perpetuado a cada fim de semana em que você enfatiza sua ausência. Já houve tempo também em que eu nem pensava nisso! É "eu-era-feliz-e-não-sabia", como você escreveu outro dia (há muito tempo!!).
Mas hoje eu só queria uma válvula de escape que me fizesse fugir da paranoia que é saber que você ainda existe. Hoje eu só queria devolver sílaba por sílaba das suas declarações inconsequentes. Queria depositar na sua caixa de correspondência todas as respostas que você se recusa a formular. Hoje eu queria empurrar pra debaixo do seu travesseiro todas as lágrimas que molham minha fronha nas noites que você não visita meus sonhos. (Eu sei que isso é por demais piegas, mas me dou o direito de cair nesse poço de clichês batidos, pois essa dor que dói é o lugar-comum das nossas mentiras e dissimulações.)
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
num só som
Das horas que vagam à espera calma de um telefonema, restam apenas silêncios imensuráveis e taquicardias constantes. Assim é que os dias passam por mim sem inspiração pulsante, sem desordenadas orações. Tudo o que crio é um não dizer instantâneo, que preenche a folha em branco com máculas e lágrimas. A trilha sonora do momento é também o silêncio. Verbos sem voz ativa calam-se nas linhas do texto que não flui. Não há predicados que façam a concordância possível para os hiatos de solidões que fogem dos padrões sintáticos. A simetria das letras se desconstrói em meio a tantas desintegrações de termos. Nem mesmo os apostos se opõem ao vício pontual imposto pelas vírgulas engasgadas. Discursos intransigentes transgridem o tom profícuo do silêncio que reverbera dentro das minhas fantasias frustradas. Nada discorre. Nada me ocorre. Nada. Silêncio é tudo. E tudo é silêncio. Só. Silêncio.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
da falta de inspiração...e excesso de PIRAÇÃO...
Vontade de gastar a ponta dos dedos nesse teclado até sangrar. Não é por acaso que você me faz tanta falta!
As palavras delicadas me abandonaram... partiram na companhia de seu escasso tempo para nós dois. Não reclamo por não dividir a cama quentinha com seu corpo todas as noites. Não me queixo por não compartilhar a água do mesmo banho purificando nosso amor. Não sou de lamentar.
Mas é que vezenquando você deixa um vazio tão grande no meu abraço caloroso em demasia... que eu até me sinto oca.
(ai... a rima traiçoeira já me pede sua boca...rs)
domingo, 26 de agosto de 2012
para um domingo qualquer
Dia da criação acontecer... e a palavra anda solta dentro do pensamento estático no assunto proibido. (VOCÊ). Devo falar seu nome baixinho, porque ninguém pode ouvir meu amor. Eu, que costumo ser tão efusiva, me ponho dissimulada mente a escrever seu nome nas linhas do meu corpo. Eu, que costumo gritar os verbos de dentro em todas as conjugações, rabisco em letras minúsculas o quanto você me faz feliz.
...............................
Preciso confessar: hoje roubei as orquídeas do jardim alheio
porque a flor que eu esperava não veio
e eu queria uma cor mais viva no interior do meu dia
.................................................
O seu silêncio corrói minha poesia. E eu, que gosto tanto da inspiração dos domingos, prendo a respiração... arranco as folhas do livro que escrevemos juntos... e queimo mais um dia da sua ausência.
domingo, 19 de agosto de 2012
sob nuvens
Começo o dia abrindo os olhos para me certificar mais uma vez do silêncio que você deixa na caixa de entrada do meu correio eletrônico. Sei que passei dos limites e entupi a sua lixeira com apelos, lembranças, pedidos inócuos de atenção... Você deve estar achando que sou louca (palavras que você também me escreveu retornam agora pra você com um acréscimo de fatalidade).
Para atenuar meu desespero, passo os olhos pelas notícias publicadas nos perfis amigos... sim, é fato, o dia está lindo lá fora. Enquanto a falta de chuva obstrui os pulmões dos cidadãos de bem, eu transbordo essa chuva particular, isso ajuda a umedecer as mucosas da narina e impede que eu sucumba com falta de ar... você escorrendo pelo meu rosto (foi a maneira que eu encontrei de tirar você da cabeça... de dentro de mim... dos meus pensamentos insensatos e corroídos pela ausência de uma palavra sua).
E se eu tentasse lhe dizer meus desastres emocionais nesta manhã clara de domingo? Você ouviria meu pedido? Nem todas as nuvens anunciam tempestades.., Às vezes elas são apenas desenhos malfeitos de momentos felizes... às vezes as nuvens são apenas deformações de desejos inteiros de felicidade... desmanchando-se num céu sem horizontes a vislumbrar...
Desculpe, mas eu não consigo (d)escrever minha dor.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
resiliência
E depois, quando nada parece mais fazer sentido... ela se lembra de uma característica que pode defini-la: resiliência. E até isso a fazia efêmera como a flor!
Tudo o que doía... ia, agora, pelos ares, em voos harmoniosos... por campos outros. Sorria. E era seu velho novo sorriso!
Foi como uma tempestade de sorrisos... regando seu tímido jardim...
Porque agora é hora de voltar a sorrir... reagir... deixar a deformidade num canto do passado, de preferência dentro do baú.
O verdadeiro tesouro está aqui: presente.
Ah... "o que passou passou" e os próximos dias são de sol, risos e flor!
Tudo o que doía... ia, agora, pelos ares, em voos harmoniosos... por campos outros. Sorria. E era seu velho novo sorriso!
Foi como uma tempestade de sorrisos... regando seu tímido jardim...
Porque agora é hora de voltar a sorrir... reagir... deixar a deformidade num canto do passado, de preferência dentro do baú.
O verdadeiro tesouro está aqui: presente.
Ah... "o que passou passou" e os próximos dias são de sol, risos e flor!
terça-feira, 14 de agosto de 2012
fim de férias (II)
Agora, que me despeço da ociosidade e da esterilidade criativa,
posso olhar para dentro e tentar me livrar do peso desses dias. Aprendi a contar
os dias com você, no dia em que me ensinou a real matemática do tempo. E, durante
esse tempo desprovido de noções cronológicas, observei, insensata, o tempo
passar. Não descansei o pensamento nem um segundo sequer. Mesmo tendo consciência
de que o que passou ficou para trás, mesmo sentindo a falta de sorriso nas
gargalhadas que furtivamente soltei...
Só agora, que a rotina começa a ocupar seu lugar no
nosso espaço incomum de viver, eu sinto os ombros ainda mais doídos, a voz mais
silenciosa, o coração descompassado na constante arritmia. Denso, o olhar também
vaga pelos dias condenados à amargura.
Uma tristeza antiga me acena da janela... a brevidade
da íris que você regou e viu florir... a felicidade em registros fotográficos
(sem os negativos, tudo agora é revelação!).
Tudo é passado simples. Mas você conjuga o verbo no
tempo errado, e põe no meu presente sonhos irrealizáveis de poesia e saudade. Como
seu eu pudesse reeditar o romance perdido...
(No fim, a melhor coisa que me aconteceu nestas férias foi o fim delas!)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
abstinência
Alucinadamente cometo incursões à caixa de correspondência. De meio
em meio minuto. Nada de email. Nenhuma resposta abranda essa ânsia desesperada
de esperar. A distância, que torna a incomunicabilidade mais acessível aos
meios, ironicamente faz menos alcançáveis os emails nas pastas disponíveis por
essas bandas não muito largas. Falha da memória não programável, que armazena
automaticamente os arquivos que desejamos remover e processa nossos
dispositivos, que se batem, rebatem, em bytes infinitamente insignificantes e
de duração questionável.
Quando o abominável F5 não apresenta aplicabilidade, outros
spams chegam ao meu novo endereço eletrônico. Por um ou dois segundos, os olhos
se distraem na caixa de entrada do todo-poderoso Outlook. Alarme falso.
Envelope amarelo fechado, remetido por sabe-se lá quem ponto com, sem o conteúdo desejado, vai direto para a lixeira.
Aproveito para acalmar a taquicardia relendo as mensagens
recebidas de usuários menos passionais. Pego atalhos e caio em outras redes, lá onde outros perfis sorriem. O encontro tão
ao alcance do teclado. Imagens digitalizadas na memória primitiva são expostas
e compartilhadas com amigos comuns com quem não nos relacionamos mais... As impressões
digitais permanecem facilmente reconhecíveis.
Novo clique no botão “atualizar”... e sou salva pela queda
da conexão.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
fim de férias
E os dias agora seguem vazios do seu olhar. Acordo. No meu quarto de não dormir, as nossas ações ainda desobedecem ao silêncio imposto pela distância de todos esses sussurros, que gritam nos meus ouvidos na hora em que me deito sobre a sua ausência. Sob o edredom macio seu cheiro incendeia meus gestos... (foi com as piores intenções que decidi envolver sua pele em meus lençóis e carências naquela tarde vadia).
Hoje há um sol brilhando insuportavelmente lindo no quintal... e longe de mim, muito próximo a você, eu sei das cercas vivas que adornam a paisagem nostálgica da nossa incompletude. Insustentável. Lembro, penso, deliro. Uma necessidade perene de sonhar e ser feliz me sacode. Um tanto desequilibrada e ingênua, me aproprio das fantasias que plantamos mutuamente. O solo parecia fértil. Regamos nossos sonhos e eles não brotaram onde os semeamos. No entanto, sua íris floresce no meu jardim todas as manhãs, quando abro a janela e não encontro seu corpo ao meu lado.
A vida implora vida. Eu chovo torrencialmente para que essas dias renasçam.
No seu diário, apenas nomes enumerados à revelia se amontoam... Minha alcunha não frequenta sua lista de presenças indispensáveis.
Hoje há um sol brilhando insuportavelmente lindo no quintal... e longe de mim, muito próximo a você, eu sei das cercas vivas que adornam a paisagem nostálgica da nossa incompletude. Insustentável. Lembro, penso, deliro. Uma necessidade perene de sonhar e ser feliz me sacode. Um tanto desequilibrada e ingênua, me aproprio das fantasias que plantamos mutuamente. O solo parecia fértil. Regamos nossos sonhos e eles não brotaram onde os semeamos. No entanto, sua íris floresce no meu jardim todas as manhãs, quando abro a janela e não encontro seu corpo ao meu lado.
A vida implora vida. Eu chovo torrencialmente para que essas dias renasçam.
No seu diário, apenas nomes enumerados à revelia se amontoam... Minha alcunha não frequenta sua lista de presenças indispensáveis.
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